Aos meus amigos evangélicos (e seus amigos)

Não sou evangélico, tenho muitos amigos que são, respeito-os, assim como os que pertencem a esta diversidade religiosa que temos no mundo.

Inicio este texto desta forma para dizer que não vou falar sobre a existência ou não de uma divindade ou questionar esta ou aquela crença. Isto é apenas para questionar aqueles que se propõem a exibir suas procurações divinas.

Assistindo ao documentário “Noivas do Cordeiro”, achei muito interessante o depoimento de uma moça que participou de uma predominante igreja evangélica na sua cidade em Minas Gerais. Lá o pastor dizia que só quem pertencia àquela igreja alcançaria salvação e iria para o céu. Em determinado momento ela se sentiu constrangida, pois imaginou que em um mundo composto de milhões de pessoas Deus não privilegiaria e daria chance apenas àquelas pessoas do seu município e que pertenciam àquela instituição religiosa. Ela e quase todas as outras mulheres do município saíram desta igreja que acabou em um lamentável descrédito. A maioria continuou evangélica, mas com o coração mais aberto entendendo que Deus daria diversas outras chances, dentro ou fora das igrejas para que alcançassem a paz e salvação que tanto desejavam. Aquele pastor falava em nome de Deus, mas elas não acreditavam mais na sua procuração.

Temos um recente exemplo de pastores que falam em nome de Deus e que fazem questão de incitar uma guerra santa contra o mal (quem não está do seu lado, ou concorrente de mercado). Tudo fundamentado em pequenas passagens bíblicas mal interpretadas. Uma evidentemente má intenção doutrinária. Há muitos pastores que leem os mesmos livros considerados sagrados e não produzem guerras e sim evangelizadores que agem a partir do diálogo, do convencimento, com a paz que estas escrituras sugerem.

Em nome de Deus, muitos atos beneficiaram muitas pessoas. Mas em Seu nome também foram cometidas muitas injustiças, crimes e guerras.

E a pior guerra é a guerra santa, pois quem está nela não pode voltar atrás ou negociar o que eles imaginam que Deus os mandou realizar. Seus seguidores são soldados reféns da interpretação de um pequeno grupo de homens que se denominam pastores. Em nome de Deus muitos se enriquecem também. O que é condenado pelos próprios ícones do cristianismo.

Este texto visa sugerir aos jovens evangélicos e simpatizantes a reflexão de que esta proliferação de pastores de “mercado” deve ser questionada, em nome de suas próprias convicções religiosas, tal qual fizeram as Noivas do Cordeiro.