Os partidos políticos e o movimento popular no Brasil

Existem menos que oito linhas de pensamento no mundo na atualidade.  Do ponto de vista político existem as grandes linhas político-partidárias: fascismo, liberalismo, social-liberalismo, socialdemocracia, socialismo (forma que pode variar da socialdemocracia ou comunismo) e comunismo. Também existem pequenas variações que representam grupos específicos: democracia-cristã, bolivarista, monárquico, centenário (herança aristocrática turca), sionistas (de direita e de esquerda) etc.

Uma sociedade politicamente evoluída tem partidos representativos das grandes linhas político-partidárias. No Brasil há cerca de trinta partidos registrados, o que caracteriza um verdadeiro balcão de negócios e não um sistema representativo de ideias. Nos EUA só há liberalismo: os democratas e republicanos. É um país economicamente rico com uma representação política pobre. E alguns corruptos também se transformaram em presidentes ou elegeram presidentes que os representaram. Os Kennedy, por exemplo, eram contrabandistas de bebidas durante o período da lei seca e seu filho John foi morto pelos seus próprios aliados mafiosos. Vale lembrar que Las Vegas era uma terra de bandidos que foi legalizada. Na vida real, no velho-oeste americano, quem perdeu foi o xerife. Os bandidos se tornaram braços do poder através de uma grande negociação. É uma ingenuidade imaginar que há uma democracia moderna por lá. Ao imitá-los criaremos nossos “Charlie Waterfall” (Carlinhos Cachoeira), enriquecendo com contravenções legitimadas e financiando campanhas.

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O que atualmente no ocidente se denomina de democracia é o resultado da disputa da revolução francesa. Ela foi democrática para a classe social que estava ascendendo ao poder, subjugando a aristocracia. Atualmente ela está ultrapassada. Ainda temos muito a evoluir na construção de uma nova democracia para um futuro melhor para todos.

Devemos tentar aproveitar as oportunidades que o movimento popular oferece. Estamos vendo no Brasil que a hegemonia socialdemocrata aliada aos tradicionais corruptos (e aí não se entenda apenas como ladrões) está sufocando várias instituições que deveriam funcionar com alternativas de poder para a sociedade. Nenhuma grande hegemonia é saudável, mesmo aquelas que defendem os interesses que achamos mais legítimos. Há sempre que existir uma contraposição. Senão é a morte da política.

E no Brasil não há contraposição que se possa considerar legítima. A única contraposição que existe é a do liberalismo, que recentemente se apresentou com o nome neoliberalismo.  Enriqueceram mais ainda os ricos e empobreceram mais ainda os pobres. Seus aliados internacionais geraram a última grande crise mundial. Agora estão tentando retornar ao poder. O que há de novidade no Brasil é a lamentável formação de uma nova extrema-direita, que é diferente daquela hitleriana ou europeia. Ela tenta ser simpática, é fundamentalista e às vezes se traveste de ecológica. Ainda não tem uma grande força política, mas já é bastante atuante.

Felizmente todo organismo vivo cria anticorpos para sua sobrevivência.

Estamos diante de um movimento popular, de certa forma, espontâneo. Devemos estar atentos e participativos. Este ainda é um movimento de descontentamento. E em um movimento de descontentes nem todos estão querendo construir a mesma proposta. Há reivindicações de interesse popular e outras não. Ferem os seus próprios interesses.

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Os partidos de oposição vão dizer que este movimento é de descontentamento contra a política do governo federal. O governo federal vai tentar tratar o movimento como democrático, tentar dilui-lo dentro da sua linha política, pois ano que vem é ano de eleição. O prefeito Haddad, de São Paulo, que no começo estava marrento e intransigente, teve que ceder, a pedido do Lula.

Os militantes partidários se infiltraram no movimento e foram chamados de oportunistas. A extrema-direita militarizada, em geral, envia seus militantes para insuflar o quebra-quebra, e agora o crime desorganizado também.

Ulisses Guimarães dizia que o que os políticos mais temiam era o povo nas ruas. E este temor fez com que PT, através do Haddad, e o PSDB, através do Alckmin, tentassem caracterizar o movimento, como um todo, de vandalismo para reprimir com rigor. Agora todos estão “simpáticos”, mas continuam terroristas. Anunciaram que cortarão investimentos, inclusive na educação e saúde. Uma grande mentira para assustar a população que desconhece que as verbas destinadas à educação e saúde não podem ser destinadas para outros fins.

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A pauta oficial do movimento é pequena, pois nasceu do Movimento Passe Livre (MPL). Com as vitórias conquistadas, a tendência do movimento iniciado pelo MPL tenderá a diminuir. As faixas contra a corrupção, por mais investimentos (na saúde, educação e transportes), por exemplo, fazem parte de outra pauta mais ampla que ainda não tem um movimento capaz de dar resposta. Mas pode ser organizado.

Este movimento que estamos vendo, com todos os seus erros e acertos é a demonstração clara de que as coisas só mudam com PENSAMENTO e AÇÃO.

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